Bom dia, caros Pardiófilos!
Pedimos desculpas, antes de mais, por mais uma ausência longa e demorada, mas como sabem, há outros afazeres que se nos impõem e, por vezes, não é possível conciliarmos as coisas como gostaríamos.
De qualquer maneira, estamos de volta com mais um episódio de “Politiquices”, desta vez para vos falarmos de um assunto muito badalado neste último mês: a entrada do FMI em Portugal, a demissão do governo e a perspectiva de eleições antecipadas.
Ora, comecemos então por esclarecer aqui que nenhum dos membros das equipas de redacção e de administração apoia um partido político. As nossas opiniões políticas são formadas com base naquilo que vemos e não naquilo que nos é impingido ou incutido. Assim sendo, pedimos que não se exaltem ao ler este post (caso a vossa opinião seja divergente da nossa) e que não deixem de visitar o nosso mui nobre blog por esse tipo de razões.
Esclarecimentos já feitos, passemos então ao que é importante. De facto, este assunto já deu imenso que falar, continuando ainda nas luzes da ribalta. Contudo, parece-me que há algumas opiniões um bocado distorcidas relativamente àquilo que se realmente se passa. Comecemos então pelo habitual início.
Ao verificar as condições sócio-económicas do país, José Sócrates propôs à AR o PEC IV no dia 21 de Março de 2011, proposta essa que foi chumbada pelo PSD (ver ainda aqui), PCP, BE. Vemos que o PCP estabeleceu, com a sua proposta de resolução, que o seu único objectivo seria demonstrar ao Parlamento que “havia possibilidades de um outro PEC se o Governo quisesse”. Como vemos, os objectivos dos nossos deputados são nobres e de altíssimo valor moral – o importante é, portanto, ter razão. Ainda mais coerente (em termos lógicos e morais) é o facto de Jerónimo de Sousa ter referido que a classe médica tem “uma palavra importante a dizer num momento em que se anunciam grandes preocupações, de redução das comparticipações, de privatização de áreas do Serviço Nacional de Saúde”. Ou seja, quem tirar medicina pode comentar assuntos de ordem económico-social e de gestão financeira e política. Como se já não bastasse o prestígio e influência absurdos da classe médica neste país, ainda lhes estão a dar o privilégio de comentar a actual situação política portuguesa * (ver Politiquices (Ep. XI, Parte B – Multifunções e multi-esterqueira portuguesa)). Não que não possam ter uma opinião – toda a gente pode e deve ter uma opinião. O que questiono aqui é o facto de se colocarem algumas opiniões num pedestal quando lá não devem ser colocadas.
O único partido com uma postura mais ou menos “amena”, digamos assim, foi talvez o CDS-PP, que sugeriu algumas mudanças ao PEC IV e assumiu a hipótese de o recusar, não tendo sido, contudo, inflexível. Ainda assim, as mentalidades de má fé dominam todo e qualquer deputado que se preze, pelo que toda esta “boa acção” (usando de muita imaginação e boa vontade) do CDS-PP é anulada com o tipo de discurso e posicionamento (agora sim) inflexível e determinista, que demonstra um único interesse: denegrir outros para sublimar a imagem do próprio partido. Também nos Açores e na Madeira as opiniões não foram favoráveis ao PEC IV.
No meio de toda esta balbúrdia parlamentar, Sócrates teve ainda oportunidade de apresentar um projecto de resolução de apoio às medidas propostas no PEC IV. Contudo, não o fez. No dai 23 de Março de 2011, José Sócrates apresentou a sua demissão à Presidência da República. O mais curioso é o facto de terem sido elogiadas as medidas do PEC IV pela União Europeia e pelo Banco Central Europeu.
Entre todos estes disparates, há sempre alguns que dão vontade de rir por si só. Entre eles, contam-se os seguintes:
Deputada do BE diz que o próximo Governo vai ser decidido pelo povo. A deputada conhece, portanto, o significado estabelecido no dicionário para o vocábulo “democracia”. Entretanto, Manuela Moura Guedes afirma que foi corrida da TVI para o Governo ganhar as eleições. A jornalista confessou fazer parte de um grupo conspiratório que planeava sabotar os resultados eleitorais. Foram também descobertos esquemas que ilustravam a implantação de bombinhas de mau cheiro na AR. Descobriu-se ainda que tudo isto foi provocado por uma falha no fornecimento de electricidade à AR, no dia 22 de Março de 2011. A culpa do chumbo do PEC IV, da demissão do governo e da entrada do FMI em Portugal foi, portanto, da EDP, já que os deputados deram por si a serem ofuscados pela fluorescência dos próprios neurónios. Foi aproveitado este momento para fazer uma contagem de células nervosas e concluiu-se que, na cabeça de cada deputado, existem apenas 2,3 neurónios.





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