Publicado por: Pardieiro da Tojeira | Fevereiro 8, 2010

Inocência Mundana – Cap. II

Olá, queridos Pardiófilos! Voltamos com mais um episódio desta rubrica, que se caracteriza pela sua extrema seriedade (por alguns considerada como “seca”…).

Retomando um pouco o tema já muito debatido da educação, quero hoje falar-vos das repercussões que o nosso (“nosso” = “global”, e não meramente português) tem no futuro não só da juventude, mas também da Humanidade. Mas antes, e para que melhor se entenda onde quero chegar com tudo isto, relebrem-se de um dos tópicos mais discutidos deste ano: 2012 – o fim do mundo, tal como o conhecemos.

Ora, eu não sei se vocês, caros Pardiófilos, chegaram a ver o documentário…

Ou se chegaram mesmo a ver o filme…

Espero que estes vídeos vos tenham elucidado acerca do tópico que iremos discutir aqui. E a pergunta que vos coloco é a seguinte: será o fim do nosso mundo o mesmo fim do Mundo inteiro?

Esta questão alberga em si duas perspectivas distintas acerca daquilo que será “o fim do mundo”. Uma perspectiva é a de que, a 21 de Dezembro de 2012, o mundo acabará, devido a questões de cariz natural, ou seja, por vias de catástrofes naturais e desequilíbrios climatéricos/ambientais de toda a ordem e espécie. A outra perspectiva, que me parece muito mais assustadora, é a prevista numa das maiores obras literárias de todos os tempos (na minha modesta opinião – há quem não goste!): “Ensaio Sobre A Cegueira”.

Passo a explicar: o livro retrata o “Apocalipse” que, a meu ver, é mais provável de acontecer e muito, muito mais assustador. Porquê? Porque é um “Apocalipse” em que não morremos. Se o mundo acabasse devido a um aumento súbito da temperatura, por exemplo, a maior parte de nós morreria. Não digo que isso seja bom; mas penso que é o menor dos males, se lhe pudermos chamar assim. Contudo, uma realidade como a que José Saramago prevê no “Ensaio Sobre A Cegueira” parece-me, de longe, muito mais perturbadora, visto ser uma realidade em que coexistimos com um ser que habita no mais profundo de cada ser humano. Coexistimos com um ser que, tal como sabem aqueles que leram o livro ou viram o filme, é capaz de descer ao nível mais baixo de dignidade para sobreviver, mas não só; é um ser que todos temos dentro de nós, um ser podre, feio, vil, que se apodera violentamente daquilo que não é seu, daquilo que não é de ninguém, mas que seria de todos.

Esta realidade de que vos falo e que é descrita no livro e no filme não pode ser concretizada em exemplos comportamentais. Não pode, porque não há linguagem que chegue para descrever a monstruosidade que há num só ser humano.

E é por isso mesmo que o fim do nosso mundo não será provocado por catástrofes naturais. Antes disso, estaremos nós a destruirmo-nos, a corrompermo-nos. Estamos, desde o início desta “era moderna”, a reunir todos os esforços para principiar o nosso fim. Não somos capazes de ver além das consequências de curto-prazo. O ruir da sociedade ocidental, por exemplo, já se iniciou – a crise económica é apenas uma das nefastas consequências deste nosso “modus vivendi” ocidental. O consumismo, a discriminação social, a comunidade (ou “aldeia global”, chamem-lhe o que quiserem) em que vivemos deixou-nos presos a uma perspectiva social economicista, que acabará por nos deixar sós, sem sabermos realmente por que viver. Por vezes, parece delírio pensar este tipo de coisas; mas a verdade (e fazendo minhas as palavras de J. K. Rowling) é que “… o Homem tende a escolher aquilo que é pior para ele…”.

Mas deixemo-nos de babuseiras pseudo-filosóficas. Está na hora de assumirmos o controlo das nossas vidas e desfrutarmos das nossas conquistas. Sejamos nós a mudar aquilo que vemos de errado no mundo. Deixo-vos, mais uma vez, a relaxar os rins com Chris Crocker…

Publicado por: Pardieiro da Tojeira | Fevereiro 7, 2010

Crónicas de Samardã (Ep. II – A Vulgaridade Veste “Feira”)

Olá, queridos Pardiófilos! Voltamos com mais um episódio das “Crónicas de Samardã”. E desta vez, queremos falar-vos de uma rapariga de 16 anos, a Cátia Normalzinha Vulgária.

A Cátia é a típica adolescente, uma rapariga comum (em todos os sentidos da palavra): tem 16 anos, namora, tem vários telemóveis, tem muitas amigas e muitos amigos. Além de tudo isto, a Cátia sofre as crises mais vulgares que uma adolescente como ela (ou seja, uma adolescente comum) sofre: “Que roupa para amanhã?”, “Será que lhe ligo?”, “Que nojo! A Manuela namora com ele!”, “Que coisa!!!  “Ai, que maçada! Não posso comprar aquelas botas!”, enfim… Este género de coisas!

Outra característica comportamental desta nossa querida amiga é o seu programa de Sábado à tarde. Todos os Sábados à tarde, a nossa comum rapariga sai de casa e vai ao Shopping, na tentativa de comprar algo (seja lá o que for) que esteja em promoção. Se não houver promoções, não faz mal, compra-se na mesma! Aliás, a Cátia pensa até que, desde que haja algo à venda, é para comprar. E porquê? Porque a partir do momento em que está à venda, quer dizer que a empresa criadora do produto estava a pensar em nós quando o criou. Por isso, e tal como a mãe de Cátia diz: “Tudo é uma necessidade, desde que esteja aberto à venda ao público.”…

Num determinado Sábado, Cátia Normalzinha Vulgária decide (ou por outra, cumpre a rotina) ir ao Shopping. Para tal, a Cátia decide convidar a sua recém-colega (uma aluna nova) para lhe fazer companhia na rotina de fim-de-semana. Ora, como podem imaginar, a colega nova de Cátia não pôde recusar o convite da Ms. Vulgária, devido a um fenómeno social chamado “pressão do grupo de pares” – para não se sentir “rejeitada” socialmente, a colega nova de Cátia Normalzinha Vulgária aceitou o convite da mesma, na esperança de formar uma nova amizade.

Meia-hora após terem entrado no Shopping, já Cátia tinha usado o cartão de débito (que lhe fora fornecido pelos pais, para o caso de ocorrer algo e a filha deles precisar de cobrir alguma despesa) em cerca de 15 lojas diferentes. Por outro lado, a colega nova de Cátia (chamemos-lhe “CN”) achava aquele tipo de comportamento consumista ridículo. Mas é claro que não mencionou a sua opinião – não fosse Cátia deixar de a cumprimentar! Aliás, é de notar que a Cátia não conseguia deixar de falar na sua vida, nos seus hábitos, na sua rotina, nos seus problemas, na sua família, no seu namorado, nas suas piadas, etc. Por este (e outros motivos), CN não fazia mais do que concordar com tudo o que Cátia Normalzinha Vulgária dizia.

Ao fim de uma tarde inteira no Shopping, Cátia finalmente deixou cair a sua atenção sobre CN: “Porque é que não compraste nada?”, ao que CN responde: “Porque gastei o dinheiro todo que os meus pais me deram no nosso lanche.”. Ao ouvir isto, Cátia volta a interpelar a sua colega: “E onde está o teu cartão?”. CN responde: “Não tenho…”.

Ora, já podemos imaginar o se sucede: CN torna-se uma excluída social, por não ter os mesmos hábitos de consumo que os seus colegas. Contudo, durante o resto da sua vida, CN irá tentar combater esse tipo de condutas consumistas, alertando para todo os inconvenientes das mesmas, servindo-se do seu cargo de repórter para tal.

Quanto à nossa amiga Cátia Normalzinha Vulgária, tornar-se-á ainda mais vulgar e simplória do que já era, exercendo o cargo de “empregada doméstica”, na casa de um dos colegas de trabalho de CN.

Publicado por: Pardieiro da Tojeira | Janeiro 23, 2010

Vídeo Publicitário #5

Aqui está um novo vídeo publicitário de uma surpresa que vos estamos a preparar… Espero que gostem; ponham o volume no máximo, por favor!

Publicado por: Pardieiro da Tojeira | Janeiro 22, 2010

T.T.: Update

É verdade, queridos Pardiófilos! Há “artistas” que não se cansam!

E o T.T. é um deles… Não se cansa MESMO de tentar ser uma boa imitação de um verdadeiro artista (sim, porque tipos como este nem se dão ao trabalho de tentarem ser ARTISTAS; não, tipos como este ficam-se pelas tentativas miseravelmente fracassadas de IMITAÇÕES DE ARTISTA)

Bem, parece que o miúdo lançou um novo álbum… Ouçam a chachada, por favor. “Mais que uma razão” e “Rebola no chão”. Não se magoem com os títulos, guardem alguma paciência para a “auscultação” das músicas, propriamente dita!

Publicado por: Pardieiro da Tojeira | Janeiro 9, 2010

Subscrições

Atenção, queridos Pardiófilos!

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Obrigado, queridos Pardiófilos, pelo apoio que têm dado até agora! AH! E um bom 2010!

Publicado por: Pardieiro da Tojeira | Janeiro 8, 2010

Inocência Mundana – Cap. I

Bem, queridos Pardiófilos, voltamos com a nossa prometida nova rubrica. E vamos começar desde já por vos falar de uma realidade negra, uma faceta obscura da nossa sociedade: a educação.

À primeira vista, pode não parecer um assunto muito sombrio, mas analisemos melhor as esquinas desta temática que todos dizem ser “essencial à cidadania”… Aliás, sugiro-vos, queridos Pardiófilos, que comecem por ver este vídeo do TEDTalks (uma iniciativa que partilha vídeos de conferências realizadas acerca das mais polémicas temáticas), em que Sir Ken Robinson fala da falta de desenvolvimento de competências criativas e das consequências adjacentes a este défice de formação.

Como puderam ver, Sir Ken Robinson defende uma postura que sugere uma reforma educacional a nível global (digo global, porque se proclama aos sete ventos a existência de uma “aldeia global”). Ora, Sir Robinson encara a arte como a maneira de alcançar um maior desenvolvimento pessoal.

Vejamos como: o desenvolvimento das capacidades criativas é extremamente importante para que não estejamos presos e atados a uma só área profissional, por exemplo. Para além disso, a sociedade moderna e dita “desenvolvida” está a presenciar o início de um fenómeno imparável: a crise social. Sim, digo que estamos a entrar numa extrema crise social, por haver cada vez mais discrepância entre ricos e pobres, por haver cada vez mais indiferença perante essa discrepância, por haver cada vez mais subterfúgios para que não seja dada uma real educação aos jovens que irão enfrentar o dia de amanhã.

Senão, reparem: desde há muitas gerações atrás que temos vindo a ser quase como que “programados”, “treinados” para pensar que devemos estudar para arranjar um emprego estável e monetariamente compensador. No entanto, a esmagadora maioria daqueles que são responsáveis pela educação da nossa geração (a equipa do Pardieiro tem entre 18 a 22 anos de idade – somos JOVENS), por exemplo, não se preocupa SEQUER em incutir um pouco de “livre-arbítrio de pensamento”. Não. A nossa geração é algemada à crença de que só sobrevive o dinheiro. Não quero dizer que só se sobrevive com dinheiro – isso é mais do que óbvio, considerando a actual comunidade ocidental. O que quero transmitir é que só conta o dinheiro. E é claro que este é o tipo de frase utilizado naqueles filmes lamechas da Disney que pretendem valorizar, acima de tudo, a família. Mas é precisamente este tipo de frase que faz sentido na nossa sociedade.

Mas perguntam-se vocês: e que raio tem a educação a ver com isto? É precisamente neste ponto que entra em cena a educação, a par da sua enorme responsabilidade e do seu devastador impacte na mentalidade jovem.

Vejam: vivemos saltando de objectivo em objectivo, até alcançarmos aquele que fomos educados a penar como sendo o último e mais grandioso: estabilidade financeira e familiar. Mas não vejo aqui o papel do auto-conhecimento, do auto-melhoramento, da ambição de ser maior do que aquilo que sentimos que somos. Simplesmente, não a vejo! Desde o meu 5º ano de escolaridade, por exemplo, que me obrigam a pensar:

1 – Estudar é importante. Para quê?
2 – Para tirar boas notas. Para quê?
3 – Para passar para o ano seguinte. Porquê?
4 – Porque estudar é importante. Para quê?
5 – Para tirar boas notas. Para quê?

Etc… E por aí continua o ciclo, até que chegamos ao ensino secundário e finalmente compreendemos aquilo que sempre soubemos: estudar é importante, para que tenhamos uma boa vida. Não posso, de maneira nenhuma, permitir que interpretem que defendo uma postura em que estudar não vale a pena e em que o dinheiro nada importa; nada disso! Até porque não sou de romantismos!
Contudo, no secundário, o ciclo altera-se um pouco, mas ma mudança não me parece ser das melhores. Vejamos:

1 – Estudar é importante. Para quê?
2 – Para tirar boas notas. Para quê?
3 – Para ter uma média alta. Para quê?
4 – Para entrar na universidade. Porquê?
5 – Porque quero tirar um curso. Porquê?
6 – Porque quero ter um bom emprego. Para quê?
7 – Para ganhar dinheiro.

Conseguem ver o grande défice nesta cadeia de prioridades/objectivos? Não há qualquer intenção de estudar para aprender, para tirar boas notas, para entrar na universidade, para aprender, para fazer aquilo de que se gosta durante toda a vida, nunca deixando de aprender. ATENÇÃO: Mais uma vez me salvaguardo no direito a que não me interpretem mal! Não é que alguém goste muito de marrar o ciclo geológico, ou de fazer equações exponenciais até mais não! É apenas uma questão de mudança de espírito: “estudar porque tenho de estudar” ou “estudar porque tenho que gostar de estudar”. São coisas totalmente diferentes!

Mas como penso que já chega (por hoje) de lavagem cerebral no que toca à educação, vou deixar-vos simplesmente, com um vídeo engraçado – para quebrar a seriedade!

“Listen to my beauty”….

Publicado por: Pardieiro da Tojeira | Dezembro 30, 2009

Nova rubrica do Pardieiro!

Caros Pardiófilos,

Esta longa ausência de posts na página do Pardieiro da Tojeira (pela qual pedimos imensa desculpa!) deve-se, nada mais, nada menos, ao facto de que os membros da nossa equipa estiveram numa crise de criatividade. Assim sendo, não tivemos qualquer disponibilidade mental para construir algo de benéfico para os nossos (muito poucos) leitores!

:)

Mas isso vai mudar! Para tal, o Pardieiro apresenta-vos a criação de uma nova rubrica que irá estraçalhar os cânones da crítica. Iremos criar uma rubrica com o propósito de criticar, sim; mas não de forma tão cómica. ATENÇÃO: A comédia e o humor não desapareceram deste nosso Pardieiro! Iremos apenas transformar, no âmbito desta rubrica, a forma como atiramos com as culpas para os outros.

É claro que, como é fácil de perceber, esta rubrica assemelhar-se-á a uma outra rubrica nossa, em termos de conteúdo: “Politiquices”. No entanto, a forma de apresentação mudará completamente para uma estrutura mais séria, mas também mais aprofundada. Queremos, por isso, avisar-vos de que esta nova rubrica não terá o mesmo carácter leve, fresco e bem-humorado das restantes. Não se admirem se a acharem, na verdade, uma grande seca para se ler!

Agradecemos a todos os leitores que têm vindo a visitar-nos, esperando que continuem a fazê-lo e a gostar do nosso trabalho! A rubrica está para breve, meus caros!

Cumprimentos.

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