Olá, queridos Pardiófilos! Voltamos com mais um episódio desta rubrica, que se caracteriza pela sua extrema seriedade (por alguns considerada como “seca”…).
Retomando um pouco o tema já muito debatido da educação, quero hoje falar-vos das repercussões que o nosso (“nosso” = “global”, e não meramente português) tem no futuro não só da juventude, mas também da Humanidade. Mas antes, e para que melhor se entenda onde quero chegar com tudo isto, relebrem-se de um dos tópicos mais discutidos deste ano: 2012 – o fim do mundo, tal como o conhecemos.
Ora, eu não sei se vocês, caros Pardiófilos, chegaram a ver o documentário…
Ou se chegaram mesmo a ver o filme…
Espero que estes vídeos vos tenham elucidado acerca do tópico que iremos discutir aqui. E a pergunta que vos coloco é a seguinte: será o fim do nosso mundo o mesmo fim do Mundo inteiro?
Esta questão alberga em si duas perspectivas distintas acerca daquilo que será “o fim do mundo”. Uma perspectiva é a de que, a 21 de Dezembro de 2012, o mundo acabará, devido a questões de cariz natural, ou seja, por vias de catástrofes naturais e desequilíbrios climatéricos/ambientais de toda a ordem e espécie. A outra perspectiva, que me parece muito mais assustadora, é a prevista numa das maiores obras literárias de todos os tempos (na minha modesta opinião – há quem não goste!): “Ensaio Sobre A Cegueira”.
Passo a explicar: o livro retrata o “Apocalipse” que, a meu ver, é mais provável de acontecer e muito, muito mais assustador. Porquê? Porque é um “Apocalipse” em que não morremos. Se o mundo acabasse devido a um aumento súbito da temperatura, por exemplo, a maior parte de nós morreria. Não digo que isso seja bom; mas penso que é o menor dos males, se lhe pudermos chamar assim. Contudo, uma realidade como a que José Saramago prevê no “Ensaio Sobre A Cegueira” parece-me, de longe, muito mais perturbadora, visto ser uma realidade em que coexistimos com um ser que habita no mais profundo de cada ser humano. Coexistimos com um ser que, tal como sabem aqueles que leram o livro ou viram o filme, é capaz de descer ao nível mais baixo de dignidade para sobreviver, mas não só; é um ser que todos temos dentro de nós, um ser podre, feio, vil, que se apodera violentamente daquilo que não é seu, daquilo que não é de ninguém, mas que seria de todos.
Esta realidade de que vos falo e que é descrita no livro e no filme não pode ser concretizada em exemplos comportamentais. Não pode, porque não há linguagem que chegue para descrever a monstruosidade que há num só ser humano.
E é por isso mesmo que o fim do nosso mundo não será provocado por catástrofes naturais. Antes disso, estaremos nós a destruirmo-nos, a corrompermo-nos. Estamos, desde o início desta “era moderna”, a reunir todos os esforços para principiar o nosso fim. Não somos capazes de ver além das consequências de curto-prazo. O ruir da sociedade ocidental, por exemplo, já se iniciou – a crise económica é apenas uma das nefastas consequências deste nosso “modus vivendi” ocidental. O consumismo, a discriminação social, a comunidade (ou “aldeia global”, chamem-lhe o que quiserem) em que vivemos deixou-nos presos a uma perspectiva social economicista, que acabará por nos deixar sós, sem sabermos realmente por que viver. Por vezes, parece delírio pensar este tipo de coisas; mas a verdade (e fazendo minhas as palavras de J. K. Rowling) é que “… o Homem tende a escolher aquilo que é pior para ele…”.
Mas deixemo-nos de babuseiras pseudo-filosóficas. Está na hora de assumirmos o controlo das nossas vidas e desfrutarmos das nossas conquistas. Sejamos nós a mudar aquilo que vemos de errado no mundo. Deixo-vos, mais uma vez, a relaxar os rins com Chris Crocker…